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Abril de 2005
Dados inseguros
Os nossos dados nemsempre estão bem protegidos. Por vezes , ja é
tarde para fazer algo. 0 negócio da recuperação de dados cresce
em Portugal, com cada vez mais empresas a fornecer soluções.
Nunca imaginamos que nos pode acontecer. Pensamos que só acontece
aos outros. Fiquei sem nada.» Num dia de Janeiro, ao ligar o PC,
Sofia ouviu o som de arranque – seguido, pouco depois, de um barulho
estranho. Com um cheiro a componentes queimados, o computador desligou-se.
Não conseguiu voltar a ligar o PC, um Pentium III com quatro anos.
Instalada uma nova fonte de alimentação, sucedeu o mesmo, danificando
a fonte, a placa de som e o leitor de CDs. Removido o disco e ligado
a outro PC, não foi se-quer reconhecido, pelo que não se conseguiu
aceder ao seu conteúdo.
Naquele disco de 20GB, que não estava sequer a meio da capacidade,
Sofia tem trabalhos da pós-graduação, todo o projecto para criar
uma empresa e a transcrição das aulas de vários cursos que frequentou
– entre outros ficheiros de que, por vezes, se vai lembrando. Não
tinha qualquer impressão destes ficheiros ou qualquer tipo de backup
– em CD (por não ter gravador de CDs) ou noutro suporte. Entretanto,
adquiriu um PC novo, já com gravador de CDs, e uma UPS. Como os
seus dados permanecem inacessíveis, Sofia procura agora empresas
com serviços de recuperação de dados, para tentar resgatar aquilo
que puder. Mas enfrenta uma questão: esses dados valem o eventual
custo da recuperação?
Informação em risco
Este é um exemplo de uma das muitas situações que podem levar alguém
a necessitar de recorrer a empresas com serviços de recuperação
de dados. A grande maioria dos problemas apresentados a estas empresas
envolve discos rígidos – de PCs, de portáteis, sistemas RAID, microdrives.
No entanto, existem outros suportes digitais que podem apresentar
avarias: CDs, DVDs, cartões de memória (aqui com um grande contributo
do crescente mercado da fotografia digital), pen drives USB, disquetes,
Zip, Jaz, DAT, DDS. Segundo dados da Recovery Labs (www.recoverylabs.com)
– empresa espanhola criada em 1999, que abriu um escritório em Portugal
em Junho de 2004 e que está também presente na Alemanha e na Itália
–, 87,5% das avarias apresentadas em 2004 pelos clientes portugueses
que contrataram os seus serviços dizia respeito a discos rígidos.
Deste valor, 87,62% envolvia discos de PCs e de portáteis, e 12,38%
sistemas RAID. Já as memórias flash (categoria que inclui cartões
de memória e pen drives) corresponderam a 12,5% dos problemas apresentados.
Num disco rígido, os problemas dividem-se em duas categorias: físicos
ou lógicos. Os problemas físicos incluem: picos de tensão (que causam
avarias nos circuitos dos controladores); descompensação térmica
(temperaturas abaixo ou acima dos limites suportáveis); avaria das
cabeças do disco rígido (devido a movimentos bruscos ou a pancadas,
por se ter desligado o PC sem o disco estar parado, por acumulação
de impurezas nas cabeças, por desajustes nas bobinas); head crash
(quando as cabeças de leitura tocam na superfície dos pratos do
disco, danificando sectores); avaria do motor (que não funciona
ou não atinge o nível de rotação necessário); o facto de o disco
ter sido aberto em condições impróprias (a introdução de poeira
no disco pode danificar os pratos); exposição à água ou ao fogo.
Já os problemas lógicos incluem ficheiros apagados, formatações
indevidas, avarias decorrentes de sistema operativo ou software
instalado que apaga ou danifica partições.
De acordo com David Marques, director técnico da Data Recover Center
(www.datarecovercenter.com) – empresa nacional criada em Junho de
2004 por profissionais que trabalham nesta área desde 1999 –, a
maior parte dos problemas que lhes chegam têm a ver com avarias
físicas. E, ainda segundo um estudo da Recovery
Labs, os problemas mais frequentes são: avaria electrónica (22,5%),
cabeças/bobinas (20,83%), falha na área de manutenção (18,33%),
estrutura (15,83%), descompensação térmica (15,83%), motor (3,33%)
e head crash (3,33%). Dados da Ontrack Data Recovery (www.ontrack.com),
empresa norte-americana especializada nesta área – com vários anos
de experiência e com escritórios em vários países –, indicam que
as principais causas da perda de dados são: problema de hardware
ou de sistema (56%), erro humano (26%), software corrompido ou problema
de programa (9%), vírus (4%) e desastres naturais (2%).
Soluções em Portugal
O número de empresas que oferecem serviços de recuperação de dados
em Portugal aumentou bastante nos últimos anos. As referências indicadas
no quadro Empresas de recuperação de dados não constituem uma relação
exaustiva da oferta existente em Portugal e não efectuámos qualquer
teste aos serviços disponibilizados, pelo que deverão ser verificadas
cuidadosamente as condições e os preços do serviço.
Algumas destas empresas recorrem a entidades estrangeiras – com
mais experiência e capacidade, nomeadamente por possuírem laboratórios
adequados – para resolver os problemas que implicam abrir o disco
e manipular componentes. É o caso da Assistimo, da Tecnidata, da
TecnoSupra e da Vital, que se apoiam nos serviços da divisão do
Reino Unido da Ontrack Data Recovery. Esta empresa providencia um
serviço de recuperação de dados remota, via Internet (www.ontrack.com/rdr),
desde que o disco seja reconhecido pelo sistema, e tem acordos com
vários fabricantes, para poder abrir os discos e manter a sua garantia,
através de um selo próprio.
Por outro lado, algumas das empresas estrangeiras a operar nesta
área??a??? abriram uma representação própria em território nacional.
Este foi o caso da Recovery Labs, que dispõe também de um serviço
para recuperação remota de dados, que criou um serviço de recuperação
de fotografias digitais (Recufoto) e que tem um laboratório instalado
em Madrid, com sala limpa (classe 100) e câmaras de fluxo laminar).
Outros exemplos são a Ondata (www.ondata-uk.com) – presente em Portugal
desde 2002, que só adoptou o nome DataRec (www.ondata-pt.com) por
não lhe ter sido permitido usar o nome original no nosso país e
que disponibiliza um serviço de recuperação de dados on-line – e
da Datex (www.datexeurope.com) – representada há dois anos em Portugal
pela SOS-Dados (www.sos-dados.com).
A Computing (www.computing.co.pt) opera desde meados de 2004 e afirma
possuir «um departamento técnico devidamente equipado para o tipo
de serviços que presta». Criada em Junho de 2004 pelos profissionais
que tinham representado a marca Recovery Labs em Portugal, a Data
Recover Center (www.datarecovercenter.pt) inaugurou a sua sala limpa
em Fevereiro último e fornece serviços de armazenamento e backup,
através de uma parceria com a empresa Corpo Técnico. Em funcionamento
desde 2001, a Dr.PC (www.doutorpc.com) cobra 25€ (mais IVA) por
hora de trabalho e efectua apenas recuperações a nível de software,
por não dispor de condições para resolver problemas físicos. A InforHobby
trabalha há 14 anos nesta área e afirma efectuar todo o tipo de
recuperação, sem necessidade de recorrer a sala limpa ou a câmara
de vácuo (segundo Carlos Gil, responsável desta empresa, utilizam
«ferramentas e técnicas próprias»). Instaladas em centros comerciais,
as lojas PCClinic (www.pcclinic.pt) proporcionam recuperação de
dados na loja e em laboratório. Quanto à TecnoSupra (www.tecnosupra.pt),
apresenta uma tabela com intervalos de preços estimados e, normalmente,
efectua recuperações a nível de software, resolvendo a maior parte
dos casos localmente.
A maioria destas empresas não indica qualquer tabela de preços para
os seus serviços, s??a???alientando que estes vão depender de vários
factores: do tipo de problema, do tipo de sistema, de o disco estar
ou não danificado (em princípio, terá que ser reconhecido pela BIOS),
de já se ter tentado fazer algo no disco, da rapidez com que deseja
resolver o problema, da quantidade de ficheiros a recuperar e da
localização geográfica do cliente. Também não existe garantia quanto
à possibilidade de resolver um problema. Existem, geralmente, vários
níveis de serviço para clientes diferentes. E, embora aceitem todo
o género de clientes, a maioria destas empresas também realça que
este tipo de serviço é, normalmente, demasiado dispendioso para
um particular – em especial se for urgente. Normalmente o diagnóstico
é gratuito, os prazos para a recuperação diferem e os dados recuperados
são fornecidos num CD, num DVD ou até num disco rígido novo – conforme
o volume de dados recuperado e o serviço contratado.
Quase todas as empresas referem ter já recebido, por várias vezes,
discos que foram indevidamente manipulados por indivíduos ou empresas.
«Porque é que, muitas vezes, não conseguimos recuperar os dados?
Porque alguém já andou a tentar recuperar os dados e fez asneira»,
salienta José Miguel, da Virtual. David Marques, cuja empresa tem
vários acordos com outras entidades e particulares que trabalham
nesta área, para receber suportes a reparar, afirma que «é muito
fácil qualquer pessoa dizer que presta este tipo de serviço e que
tem todas as condições necessárias. Esse tipo de técnicos – os curiosos
–, prestam um mau serviço aos clientes e criam má fama».
Além dos serviços portugueses e estrangeiros já referidos, existem
outras empresas estrangeiras a que o utilizador também poderá recorrer:
a norte-americana CBL (www.cbltech.com), que tem uma divisão no
Reino Unido; a norueguesa Ibas (www.ibas.com), presente em vários
países europeus; e a britânica MjM (http://datarecovery.mjm.co.uk).
Em Portugal, disponibilizam-se também alguns serviços tipicamente
empresariais, de disaster recovery e armazenamento: Cesce (www.cesce.pt),
IBM Business Continuity and Recovery Services (http://www-1.ibm.com/services/us/index.wss/it/bcrs/a1000411)
e TBA (www.tba.pt).
Nada é Irrecuperável
Paralelamente à sua actividade normal, a Data Recover Center está
a desenvolver investigação na área de problemas com discos rígidos.
Designado Projecto NEI (Nada é Irrecuperável), pretende «desenvolver
um sistema que torne possível todas as recuperações em todos os
modelos de discos», explica David Marques. Este sistema deverá conseguir
«ultrapassar todos os parâmetros do disco [inclusive o controlador
das cabeças de leitura/escrita, embutido no disco] para chegar até
à informação – e traduzir essa informação». O procedimento é o seguinte:
«Tomamos, como base, um bus IDE, num modo em que nenhuma das interrupções
esteja ocupada por IRQ’s (Interrupt Request), controladores do sistema
operativo ou outro intermediário. Assim, dispomos de um bus IDE
sem limitações, apenas visível através de um interface de software
e de hardware. O sistema pode, da mesma forma, ser adaptado para
SCSI e SATA. Dispondo de uma placa programável (capaz de gerar toda
a amplitude de comandos ATA) e utilizando analisadores analógicos
como sistema de captura e descodificação das instruções empregadas
por cada fabricante, é possível analisar todos os processos de arranque
e troca de instruções com o HDA. Com isso, podemos gerar um sistema
de posicionamento em modo de busca – que, inclusive, poderia ser
utilizado como software de recuperação e reparação de dados.» A
Data Recover Center vai tentar obter financiamento do Programa Operacional
Sociedade do Conhecimento (POS_C), para levar avante este projecto.
Soluções de software
Existe um grande lote de software pago, que pode ser utilizado para
recuperar alguns dados ou efectuar backups: EasyRecovery DataRecovery
(www.ontrack.com), Fast File Undelete (www.dtidata.com/products_ff_undelete.asp),
FileSaver (www.file-saver.com/undelete), GetDataBack (www.runtime.org/gdb.htm),
NortonGoBack (www.symantec.com), OndataRecoverySoft (www.ondata-recoverysoft.com),
SpinRite (http://grc.com/spinrite.htm) e Virtual Lab (www.binarybiz.com/vlab).
Também se encontram algumas soluções gratuitas, embora em menor
número: ActiveUndelete (www.active-undelete.com/products.htm), e-ROL
(www.e-rol.com/pt) e MagicUndelete ( www.ondata-pt.com/recuperacao-dados/software-recuperacao-dados.htm
). Este tipo de software deve ser sempre utilizado com as devidas
precauções e tendo em conta se se adequam ao problema em causa.
Backup on-line
Quem não queira depender exclusivamente do hardware, pode sempre
recorrer a serviços de armazenamento on-line. A maioria destas soluções
exige uma subscrição paga: AfterOffice (http://afteroffice.com),
Backup 2000 (www.backup2000.com), Backup Direct (www.backupdirect.net),
Backup myStuff (www.backupstuff.co.uk), Connected Data Protector
(www.connected.com), Data-Insure (www.backmeupoffsite.com), DATABarracks
(www.databarraks.com), DataLifeline (www.datalifeline.net), Depositit
(www.depositit.com), FlashBackup (www.flashbackup.com), iBackup
(www.ibackup.com), Streamload (www.streamload.com), Xdrive (www.xdrive.com).
Existem, ainda, serviços gratuitos de armazenamento on-line, como
o DoneEasy (www.doneasy.com), o CryptoHeaven (www.cryptoheaven.com),
o FlyNote (http://knectr.brinkster.net), o Free Online Backup (www.freebackup.net),
o JungleMate (www.junglemate.com), o SwiftDesk (www.swiftdesk.com),
o Yahoo Briefcase (http://briefcase.yahoo.com) ou o Znail (http://znail.com).
Medidas de prevenção
- Para prevenir, deve efectuar backups regulares dos seus documentos
(dando prioridade aos dados mais importantes), para suportes como
CD, CD-RW, DVD (-R, +R e RW) ou discos rígidos externos. É aconselhável
efectuar backups semanais ou um backup mensal.
- Para efectuar os backups, pode recorrer à ajuda de programas
como o Active Backup Expert Pro (www.orionsoftlab.com), Argentum
Backup (www.argentum.com), Backup My PC (www.orlogix.com), Backup
MyPC (www.roxio.com), Backup Plus (www.backupplus.net), My Own
Backup (www.freedownloadscenter.com/Utilities/Backup_and_Copy_Utilities)
e NovaBackup (www.novastor.com). Pode também utilizar o programa
de backup disponibilizado com o Windows XP Professional.
- Para facilitar a realização de backups, deve manter os seus
documentos organizados. É aconselhável reunir os documentos na
mesma pasta (por definição, em ‘My Documents’), pelo menos os
mais importantes, adicionando elementos como os Favoritos (no
IE: ‘File>Import and Export’).
- Tenha um antivírus instalado e devidamente actualizado.
- Mantenha os seus programas actualizados, começando pelo sistema
operativo. E não se esqueça de actualizar os drivers.
- Não instale todo e qualquer tipo de programas no seu disco rígido
(por precaução, poderá criar uma cópia do Registo – no XP: ‘Accessories>System
Tools>System Repair’).
- Mantenha limpos o seu disco (no Windows XP: ‘Iniciar>Executar>chkdsk’)
e o Registo (recorrendo a programas como Registry Drill – www.easydesksoftware.com/regdrill.htm
–, System Mechanic – www.iolo.com/sm – ou Registry Clean – www.registry-clean.com.
- Caso não consiga aceder ao seu suporte de dados, mantenha a
calma e não tome medidas precipitadas.
- Se recorrer a empresas de recuperação de dados, informe-se previamente
sobre as condições de prestação do serviço: técnica utilizada,
garantia, utilização de sala limpa, envio do disco para outras
entidades, tarifário, tempo dispendido.
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